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Capítulo Brasileiro da Internacional Association for the Study of Pain - IASP


Os Hormônios Sexuais e a Dor

 

A dor, e em particular a dor crônica, apresenta importantes diferenças relacionadas com o sexo. Poderia haver várias razões que justifiquem a maior reatividade das mulheres, em comparação com os homens, diante de estímulos dolorosos similares, desde os genes até influências hormonais e culturais. A diferença entre os dois sexos é multifacetária, e incluem a freqüência da dor crônica, o tipo de síndrome de dor experimentada, as características das complicações que se desenvolvem etc.

A percepção da dor varia segundo as fases do ciclo menstrual nas mulheres com dor crônica (1). Por exemplo, a dor temporomandibular é mais intensa no período pré-menstrual e durante a menstruação (2). Os andrógenos e os estrógenos são essenciais para o desenvolvimento e a manutenção adequados dos sistemas reprodutores masculino e feminino. Também desempenham um importante papel fisiológico na atividade e no bem estar dos homens e das mulheres.

Os estrógenos podem afetar a nocicepção e a dor

A administração de estrógenos nas mulheres e nos homens pode aumentar a incidência das condições de dor crônica (3,4). Estes efeitos podem dever-se às ações induzidas a nível periférico e central. Por exemplo, os estrógenos:

  1. Aumentam o fator de crescimento neural (nerve growth factor, NGF) nos gânglios da raiz posterior (5).
  2. Induzem a expressão do c-Fos (um dos primeiros sinais da plasticidade neuronal) no hipocampo (6).
  3. Ativam a cinasa MAP (um fator de crescimento) mediante um mecanismo que parece não utilizar receptores estrogênicos (7).
  4. Aumentam a quantidade de espinhas dendríticas e sinapse excitadora nos neurônios hipocâmpicos (8).
  5. Excitam rapidamente os neurônios que se encontram no córtex cerebral, o cerebelo e o hipocampo mediante um mecanismo não-genômico (9).
  6. Potenciam a união do glutamato aos receptores N-metil-D-aspartato (NMDA) (8,10).
  7. Aumentam os potenciais pós-sinápticos no hipocampo mediante o incremento das correntes mediadas pelos receptores de kainato (9).

Todos estes efeitos podem aumentar a nocicepção e a dor.

Além de seu papel hiperalgésico, parece que os estrógenos também desempenham um papel importante na indução da antinocicepção. Por exemplo, a simulação da gravidez em ratas ovariectomizadas, com altos níveis plasmáticos de estrógenos e progesterona, provoca um aumento do limiar da dor (11). Estes efeitos analgésicos podem estar relacionados com o fato de que os estrógenos regulam o controle transcricional da síntese de opióides e dos receptores opióides delta e kappa na lâmina 11 da medula espinhal (12). A administração de estrógeno nas mulheres aumenta a união no cérebro do receptor opióide induzido pela dor, o que sugere que o estrógeno exógeno melhora o funcionamento do sistema opióide endógeno (13).

Os andrógenos podem afetar a nocicepção e a dor

Encontrou-se uma relação inversa entre a testosterona plasmática e os transtornos do pescoço e ombros relacionados com o trabalho nas mulheres que trabalham (14). Descobriu-se que a terapia com baixas doses de testosterona transdérmica melhora o limiar da angina de peito nos homens com angina de peito estável crônica (15). Nos ratos, a testosterona desempenha um papel protetor na artrite induzida por adjuvantes (16); e a testosterona, administrada tanto em ratos como em ratas, muda as respostas induzidas pela formalina (17,18) e a analgesia (19).

 

Copyright International Association for the Study of Pain, September 2007. References available at www.iasp-pain.org

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