Diferenças de dor relacionadas com o sexo: Descobertas Científicas Básicas
Por que é importante estudar as diferenças relacionadas com o sexo em animais de laboratório (ratas e ratos)?
- Usar animais de laboratório permite implementar técnicas experimentais muito mais poderosas a fim de abordar o problema (por ex: manipulação genética, registro eletrofisiológico, administração de um fármaco experimental), o que leva ao descobrimento de mecanismos subjacentes.
- É pouco provável que os animais desempenhem papéis estereotipados relacionados com o gênero, e assim, é provável que as diferenças observadas tenham uma origem “biológica” mais que “sociocultural”.
Estudam-se geralmente animais de laboratório de ambos os sexos?
NÃO. Um censo recente sobre trabalhos de pesquisa publicados na Pain revelou que 79% da totalidade dos estudos empregaram somente machos, 8% somente fêmeas e só 4% foi explicitamente desenhado para avaliar as diferenças relacionadas com o sexo, no caso de que existissem. Observe que isto se contrapõe com a situação dos seres humanos, na qual, na atualidade, se estudam geralmente ambos os sexos.
Que descobertas nesta área conseguiram um consenso?
- Os roedores machos são geralmente mais sensíveis que as fêmeas em relação à analgesia mediada com opióides, tanto de fármacos opiáceos como de liberação endógena (ou seja, analgesia induzida por estresse); estes efeitos são maiores quando são usados opiáceos de menor eficácia (por ex., morfina).
- Geralmente, os hormônios esteróides afetam claramente, em grande medida, a sensibilidade à dor nos roedores (estrógeno, progesterona e testosterona), ainda que a direção do efeito seja variável.
- É provável que se encontrem diferenças de dor/analgesia relacionadas com o sexo dentro da via descendente moduladora da dor (substância cinzenta periaqueductal-bulbo rostroventral-medula espinal).
- Aparentemente, existem mecanismos analgésicos específicos para cada sexo que envolvem fatores neuroquímicos e genéticos, pelo menos, parcialmente divergentes. Estes fatores podem estar relacionados com o fenômeno de analgesia induzida pela gravidez.
- As diferenças relacionadas com o sexo interatuam de forma importante com os antecedentes genéticos.
Que descobertas continuam sendo controvérsias?
- Uma descoberta controversa é se os roedores macho e fêmea diferem significativamente no que diz respeito à sua sensibilidade aos estímulos nocivos. Aparentemente, a resposta depende em grande parte da prova utilizada e dos antecedentes genéticos da população estudada.
- Outra descoberta controversa é se a sensibilidade à dor/analgesia difere ao longo do ciclo menstrual (o equivalente ao ciclo menstrual para os roedores). Os estudos realizados informaram tais diferenças, mas as direções dos efeitos são contraditórias.
Que genes/proteínas foram implicados nas diferenças da dor/analgesia relacionadas com o sexo?
- Receptores de estrógeno.
- Receptores opióides Mu/Kappa/Delta (MOR, KOR, DOR).
- Receptores GABA-A.
- Receptor N-metil-D-aspartato (NMDA).
- Receptor melanocortina-1 (MC1R).
- Receptor Orfanina FQ/Nociceptina (OFQ/N).
- Proteína cinasa A/C.
- Canais de potássio de retificação interna acoplados à proteína G (GIRK2).
- Canal iônico sensível ao ácido (ASIC).
- Receptor alfa 2 adrenérgico.
Que novos desenvolvimentos interessantes tiveram lugar recentemente?
- Interação do contexto sexual e social nos ratos.
- É possível que as diferenças relacionadas com o sexo sejam produzidas diretamente pelos genes ligados aos cromossomos sexuais (X e Y), mais que pelos hormônios gonadais.
- Existem diferenças sexuais relacionadas com a picada e a dor.
- As diferenças de dor/analgesia relacionadas com o sexo já estão presentes desde o momento do parto.
- Existem diferenças relacionadas com o sexo no que diz respeito à tolerância e a dependência da morfina.
- Existem diferenças relacionadas com o sexo no que diz respeito aos mecanismos de inflamação.
Que diferenças existem entre as diferenças relacionadas com o sexo nos roedores e nos seres humanos?
- Não é claro se os opióides são mais efetivos nos homens que nas mulheres. Existem informações a favor de ambos os pontos de vista. Por outro lado, a bibliografia baseada no estudo de animais apóia enfaticamente a teoria de que a eficácia dos opióides é maior nos machos.
- As diferenças entre as mulheres e as diferentes espécies de roedores no que diz respeito a variações cronológicas e hormonais durante o desenvolvimento fetal, a puberdade, o ciclo ovariano e sua progressão durante a senescência reprodutiva são considerações importantes na hora de traduzir as descobertas das pesquisas entre os roedores fêmeas e as mulheres.
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